terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quero ser biscate

Na próxima encarnação, porque nesta eu já sou um caso perdido.
Como cheguei a essa definição da próxima carreira a seguir? Fatos:
- Cleópatra: a rainha grega do Egito... pensa bem como foi manter esses dois títulos em um só; mas não vamos tirar o mérito: era uma biscate extremamente inteligente e estrategista;
- Ana Bolena: êta biscateira com poder, essa...;
- Mata Hari: ainda jogou um beijinho às tropas de fuzilamento antes de sua morte;
- Xuxa, rainha da pornografia: é Rainha dos Baixinhos;
- Priscila, ex-BBB: casou;
- Todas as ex do Hefner: tem um reality e uma mansão para chamar de seus;
- Smurfete: só tinha que dar pra toda vila e assim conseguia manter seu padrãozinho de vida feliz no subúrbio azul;
- Ângela Bismarchi: tem tudo quanto é cirurgia grátis (não que elas deem certo...); faltou só a do cérebro, mas é detalhe...;
- Luciana Gimenez: ganhará boa mesada pro resto da vida por ter um filho de um Stone;
- E não vou nem falar nada da Bruna...
Questiono-me se já teria sido uma biscate na outra encarnação, e por isso nessa sou tão... não-biscate!
Só sei que as admiro. Aplaudo a todas. Beleza é uma dádiva, ignorância é uma bênção, falta de escrúpulos é um dom, mas ser biscateira é atingir o Nirvana.


domingo, 28 de agosto de 2011

Refletindo e mancando

Mais difícil do que o Bolsonaro sair do armário, mais improvável do que o Roberto Carlos participar da Dança dos Famosos, mais raro do que Marina Silva depilar a sobrancelha, ou mais absurdo do que a Dilma falar com voz de criança no diminutivo, em conversa ao pé do ouvido com a Chanceler Angela Merkel. Acho que essa é a possibilidade de as pessoas estarem preparadas para ouvir a verdade sem achar que é uma afronta. Infelizmente vivemos em um mundo no qual o cinismo é bem visto e a sinceridade é um tiro no pé.
Só pra constar: meu pé tá muito furado!!!



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Manual pocket de boas maneiras

Dia do Solteiro! Sim, dia 15.
E eu, muito prestativa, em comemoração a esta data especial, venho dar minha colaboração aos solteirOS de plantão (não que os casadinhos não precisem ler...).
Então, vamos colocar ordem nesta Sbórnia! O homaredo vem alternando em um ritmo frenético a prática das boas maneiras com a bagualice, e vice-versa. Sem falar na onda de melações, que às vezes vem em ordas, num fenômeno mais ou menos parecido com o choque do ectoplasma do Geléia contra a Janine.

Serviço básico de utilidade pública:

Boas maneiras = abrir as portas (não é uma obrigação, mas demonstra que o vivente não é umbigocêntrico).
Bagualice = nem olhar pra trás para saber se a moçoila está necessitando de ajuda pra empurrar aquela maldita porta pesada do am pm (onde, por sinal, ela odeia ir; qual é a dos caras com postos de combustíveis, ein?!).
Melação = jogar-se feito o Maníaco do Parque na frente dela, sem que ela decida ao menos qual pé colocar na frente do outro antes de passar pela porta.

Boas maneiras = usar adjetivos que qualifiquem positivamente a pessoa com quem você fala (um “linda”, “gatinha”, “querida”, ou um apelido carinhoso, não faz mal a ninguém).
Bagualice = usar adjetivos que aplicarias ao teu colega de quarto, aquele mesmo que ronca e arrota contigo quando vocês viajam juntos (por exemplo, “debilóide”, “tonga”, “meu”, “cara”...).
Melação = utilizar mais de dois adjetivos no diminutivo em uma mesma frase (“oi, minha lindinha, tudo tranquilinho contigo, minha gatinha?”).

Boas maneiras = ligar ou mandar mensagem no dia seguinte.
Bagualice = entrar numa dimensão paralela e sumir, pra fazer o jogo de gata e rato.
Melação = mandar uma mensagem pela manhã, três à tarde e umas 473092038779 à noite.

Boas maneiras = elogiar a aparência dela.
Bagualice = “Bã, mas pelo menos estás bonita, ein? Depois desse tempo todo que te esperei, ainda bem que não me decepcionste!” (não, isso não é um elogio).
Melação = “Como tu estás gata” (às 21:10); “Já te disse que estás muito bonita?” (às 21:36); “Nossa, sou muito sortudo, tu és muito linda” (22:03); “Já comentei como estás bonita hoje, né?” (22:17)...

Boas maneiras = convidar para sair quando tiver vontade, sabendo que a outra pessoa, quando diz “não”, pode estar ocupada de verdade (pasmem, nem tudo é um jogo nesta vida!).
Bagualice = “Bem, eu já te convidei, depois não diz que não me apresento”.
Melação = “Ah, mas eu queria tanto sair contigo hoje! E amanhã? Tá, e daí, saímos amanhã, mas já vamos combinar o findi, então! Ah, também tinha pensado em irmos naquela festa, que vai ter dia 23...”

Boas maneiras = na primeira vez, tentar perceber qual o “estilo” do corpinho, antes de sair por aí tentando realizar todas as suas 73 fantasias eróticas no período de 3 horas.
Bagualice = “Como é que tá aí? Chegando?”.
Melação/Psicose = “Agora tu és só minha, toda minha... nunca senti nada assim, nunca mais vou te largar!”  Corra, Lola, corra!!



domingo, 31 de julho de 2011

Sonhos de uma noite de inverno

Dizem por aí que dia 15 foi o Dia do Homem. Para comprovar que não faço só mau juízo dos meus irmãos de espécie, não vou dedicar apenas um dia, mas todo o mês de julho a eles, os de Marte. Encerro o mês com esta singela homenagem.

Das tipologias masculinas: o Tipão
Certa noite dessas, cumprindo meu compromisso comigo mesma de não sucumbir à falta de vida social, fui a um desses botecos/bares/pubs da vida. Acho que ninguém acredita naquela frasesinha “só vim para dançar” ou, no caso dos pubs, “tô só pelo drink” (by Alinão). Hoje em dia, ou melhor, em noites, apenas um-noventa-e-nove-avos dos seres humanos não vão para a noite para ficar girando o pescoço em 367° feito lêmures loucos, num ritual que concretiza o popular “tiroteio”. Pois bem, faço parte deste seleto e desacreditado grupo que vai para a “night” sem pensar necessariamente em achar ali uma pantufa (agora, que o inverno medonho chegou) ou um scarpin na estica para sair desfilando por aí.
Vide companheiros de faculdade, freqüentadores do saudoso boteco Bolicho, hoje uma farmácia (se precisar de Eno, agora tem à vontade!): enquanto todos iam para lá e de lá saiam em pares já formados, Freconildas de lá voltava como chegava (ok, 86% das vezes); enquanto os demais se abraçavam nas garrafas de ceva (vendidas a módicos R$1,50!), Freconildas lá estava abraçada em sua clássica garrafa de inox, goleteando um chima veio (Carry, a estranha). Bem, nada mudou muito da graduação para cá: troquei o chimas pela água gelada (acho que serei socialmente banida se entrar com uma térmica num pub) e continuo na sociabilidade passiva, sem incorporar o estilo lêmure de ser.
Digressões à parte, naquela noite de melll delzzz, uma serelepe amiga chamou minha atenção para uma pessoa discreta. Um homem, muito próximo à nossa mesa: aquele transeunte não sabe da minha existência, jamais pensaria que habito a mesma galáxia que ele e sequer pensaria que eu o observava. Mas ele me fez querer prestar uma homenagem aos demais de sua classe, a quem agradeço pela existência...
Ele não é bonito, é um feio interessante, de traços sisudos. É a personificação da cruza dos feromônios do Zé Mayer, com os músculos do Dourado e o rosto do Gerard Butler. Ele é rude.
Caminha como se não houvesse nada à sua frente, sem ao menos mover involuntariamente as pupilas na tua direção. Ele rasga os caminhos, os demais que o sigam. Faz carinho quase que com a mão fechada, e quando abre é para puxar os cabelos da mulher. Ele não fala, mas sabe como olhar de uma forma que a mulher se sente completamente nua em público. O Tipão não abraça, puxa. Não pega no colo, levanta teu corpo como se fosse uma pena, a la Vin Diesel. Fala pouco, mas diz tudo em sete palavras. Ele não pergunta, faz.
O Tipão não sucumbiu às boas maneiras, mas uma vez a cada 91 anos, quando Vênus, Júpter e a Lua alinham-se, ele te surpreende com flores. Ok, com um botão de flor...
Este ser tosco, bruto, sério, tem um humor seco, ácido, cortante. Não ri de piadas, apenas levanta o canto da boca, em um breve momento no qual esboça simpatia pelos demais. Não dança nas festas, espreita as mulheres enquanto coloca um pé pra frente e outro pra trás – muito sutilmente. A roupa que ele usa na festa é a mesma que veste no dia seguinte para correr ou para trabalhar: ele não pensa que é uma roupa, vê apenas uma sobreposição de panos. Para o Tipão, as cores reduzem-se ao preto, branco, verde, amarelo, vermelho e azul – e “combinação” é uma palavra inexistente em seu mundo; aliás, listras e xadrez são sinônimos para ele. Ele não sabe e não quer saber o que é design. Ele nunca chorou vendo um filme. Ele não conhece os diminutivos.
Mas, vez que outra, o Tipão mareja os olhos – num esboço de choro. São raros os momentos em que é possível observar esta espécie aos prantos. Mas não se iluda, ó Nobre-camponesa-que-vai-todos-os-dias-ao-bosque-recolher-lenha: isso é apenas seu golpe final. É a parte mais afiada da lâmina de seu robusto machado: vai cortar seu coraçãozinho em milhares de farpas e, quando menos tardar, estarás apaixonada pelo Tipão. Afinal, todo mundo sabe que homem grande chorando é golpe baixo... mas a gente gosta!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Achei triste o uso das reticências

Dia desses externei uma coisa que já tinha pensado, e sobre a qual já tinha chegado à conclusão há algum tempo... Conversei sobre a forma como as coisas findam.
Aos nove anos, fiz uma amiguinha em uma situação peculiar. Na época em que conseguir uma linha telefônica era luxo, também era moda criança passar o dia pendurada no telefone dando trote. Ligava para um número qualquer e, onde caísse a ligação, aplicava o trote do carro gelo, da família Pires, e por aí vai. Um dia, a Jordana ligou pra minha casa e ficou passando trote. Os trotes eram tão engraçados e ela era tão figura que começamos a conversar e ficamos amigas: amigas de telefone. Passamos a nos ligar diariamente, a nos escrever cartinhas – na época, também se escrevia carta, comprava-se selos e se postava no correio... sim, tenho rugas. Não lembro do exato dia em que não nos ligamos e, daí em diante, que passamos a não nos ligar mais, nem a escrever em papel de carta perfumado uma para a outra... E o tempo passou. E a Jordana passou.
Na mesma época, eu tinha uma amiga muito querida, que morria de ciúmes desta minha relação telefônica! Sempre que nos perguntavam se éramos irmãs (porque andávamos sempre juntas), nós dizíamos: “não, somos vizinhas, colegas e amigas”. Resposta completa. Foram anos de convivência não somente entre nós duas, mas entre nossas famílias. E, mesmo com a distância que a “adultice” às vezes traz em relação às pessoas queridas, foram anos ainda compartilhando fases da vida por telefone, por e-mail, por visitas cheias de saudade. O tempo passou, ela casou, teve filho... Paramos de nos ver, de nos falar. Não sabemos mais do quotidiano uma da outra, não sabemos mais dos medos, das conquistas, dos problemas, das alegrias. E a vizinha-colega-amiga também passou.
Não sei dizer se sou amiga de todos aqueles a quem um dia chamei assim. Não deixei de gostar de ninguém, mas as circunstâncias, o tempo e a forma como a vida passa por nós, por muitas vezes, me fazem pensar o que determina o momento em que “decidimos” não mais partilhar nosso “eu” com outra pessoa. Não deixamos de gostar, apenas deixamos...
Perdi as contas de quantas vezes saí com alguém e pensei que ficaria mais tempo com aquela pessoa. Não me refiro necessariamente a namoro, porque hoje em dia se tu falas que sentes saudades, pronto: já pensam que estás com o tipo de papel dos convites de casamento encomendados! Como se não houvesse mais espaço para o afeto despretensioso. Não. Não falo necessariamente de namoro, mas de um período bom o bastante para sair com alguém e saber se essa pessoa te faz bem. Se vocês se fazem bem.
As conversas boas, a companhia agradável, bom humor na relação (imprescindível), mesma fase de vida, boa química... Simplesmente bom. E não sei dizer, na maioria dos casos, o que determinou o momento em que cada um de nós foi para lados diferentes. Tem o fenômeno do “nojinho”, que mais cedo ou mais tarde vai bater à tua porta: ou tu vais pegar nojinho de alguém, ou, acredite, este alguém vai pegar de ti (ou tu achas que só tu vês defeitos nos outros?). Mas, em muitos casos, não é isso que acontece: nenhuma briga, ninguém usou palavras ríspidas, não houve demonstração de cobrança, vocês não começaram a sair com outras pessoas. A distância apenas veio. Pessoas que compartilharam momentos extremamente íntimos e bons apenas deixam de se falar e se tornam estranhas. As pessoas passam.
Acho isso triste.
Já pensava nisso há algum tempo, mas esses dias, ao falar em voz alta pra outra pessoa e pra mim mesma, achei mais triste. A palavra pronunciada teve mais peso do que a palavra pensada. Percebi que certas situações tem um ponto final que, de alguma forma, te reconforta mais, por saberes o início, o meio e o fim de tudo. Principalmente por poderes enxergar, com clareza, o fim. Outras situações apenas te apresentam reticências.
Algumas coisas terminam. Outras, simplesmente acabam...

A maneira mais alegre que eu já vi para se cantar um clássico triste.