terça-feira, 2 de abril de 2013

Das tipologias masculinas: o Karma (ruim)


São como pelos no sovaco: todo mundo vai ter um dia, mais cedo ou mais tarde; para alguns, não vai fazer diferença e essas pessoas irão aprender a conviver com eles; já para outros, os pelos virão e serão um grande incômodo, do qual as pessoas passarão a vida tentando se livrar utilizando-se de variados métodos. Assim são os Karmas ruins. Mais precisamente os Homens-Karma.

O Homem-Karma vai aparecer e, a princípio, assim como são os pelos sovacais para uma pré-adolescente, serão quase motivo de comemoração. Um acontecimento novo, que marca uma etapa na vida. Mas, com o tempo, percebe-se que o que outrora foi motivo de comemoração, hoje é tortura. Absolutamente desnecessário. Algo que a evolução da espécie humana ainda não se deu conta de que precisa ser dizimado.

Para as que ainda não aderiram à depilação “definitiva”, fica mais fácil entender: sabes quando tu queres usar um vestido super cavado, o mais lindo do guarda-roupas, e a depiladora não tem hora livre? Então, tu apelas para a gilete maldita. Mas ocorre que ela está sem lâminas afiadas. Já atrasada para sair, acidentalmente cortas a tua pele. Não há mais tempo para reformular a roupa, tem de ser o vestido maravilhosamente cavado. As axilas não estão perfeitas. Terás que te condicionar a não realizar todos os movimentos braçais.

O Homem-Karma faz a mesma coisa com a tua vida. Bagunça absolutamente tudo o que já estava programado e engessa teus movimentos de tal forma, como se tu não fosses capaz de erguer os braços para pedir socorro. Como se, ao ergueres os braços, teus pelos ficassem à mostra. Que vergonha. Não dá. Não tem solução. A saída é esperar de braços cruzados, até que ele vá embora. Ou até que a depiladora abra um espacinho na agenda...

E ele sabe que é um Karma. Ele te pede desculpas por ser um Karma. E tu achas a atitude nobre. E ele permanece sendo um Karma. Porque tu permites. Tens medo de usar uma lâmina afiada e terminar com tudo!

O HK não necessariamente é um cara bonito, mas tem a mãnha. Geralmente tem uma família complicada. Ou uma namorada psicótica com quem ele já tentou terminar umas três vezes (é o que ele diz), mas ela fez escândalo no prédio (é o que ele diz) e ele se compadece (fato). Ou tem um emprego que gera muita pressão psicológica. Ou recém terminou um relacionamento que fez muito mal a ele. Ou, o que é muito comum: todas as alternativas anteriores. Pobre Karma: está em recuperação. Tu tens o dever de ajudá-lo.

O bom HK não vem para ficar. Ele vem e vai. Tu decides cortá-lo da tua vida, ele finge que entende. Deixa o tempo passar, a ferida quase fechar, até que resolve reaparecer. Como um pelinho encravado: tu não percebes que ele está lá, sob a pele e, quando menos esperas, ele ressurge, incomodando, deixando a pele feia, lembrando de que ele ainda está ali! Maldito pelo! Que raios de pinça será preciso usar para dar fim nele?!

Depois de muitos (sim, no plural) Homens-Karmas encontrados vida afora, achei a solução: aderi à depilação “definitiva”. Por enquanto, estou recomendando o mesmo às amigas. O problema são as aspas que vem com a modalidade que promete dar uma solução ao sofrimento:
 

Importa esclarecer que o termo “depilação definitiva” tem vindo a ser substituída por “depilação permanente”. Isto porque, neste momento, não existe nenhum método que garanta (embora a taxa de sucesso ronde os 80%) a remoção total de todos os pelos. O que este gênero de tratamentos permite é uma depilação progressivamente definitiva em que, com o decorrer das sessões, os pelos vão tornando-se cada vez mais fracos, mais claros e o seu crescimento mais retardado (do site entremulheres.com).

 
 Em suma, amiga karmática, em caso de dúvidas, consulte seu psiquiatra dermatologista...

domingo, 30 de dezembro de 2012

Reflexãozinha boba de final de ano

Nessa época de festas de final de ano, com o pessoal correndo atrás dos oráculos, das cartas, simpatias, dos búzios e afins, tudo pra saber como será o novo ano e quais as perspectivas de futuro em geral, acabei fazendo um link com coisas de meninos e de meninas. Não, não tem a ver com “meninos tem pênis e meninas tem vagina”. As diferenças transcendem o campo da biologia. Em específico, fiz um link com as coisas que só nós, as meninas, somos “capazes” de fazer.

Entre tantas coisas mirabolantes que culturalmente nos separam dos homens, essa busca pelo “sobrenatural” pra dar uma “luz” nos nossos caminhos, certamente é bem coisa de mulherzinha. Conheço pouquíssimos homens que apelaram pro sobrenatural, ou coisa parecida. Em compensação, é difícil não topar com uma mulher que já não tenha pedido socorro pro além.
Não estou falando de fé. Estou falando de farofada mesmo. Indiada da braba!
Cartomante. Quantos homenzinhos aí do outro lado já foram em uma? Ok... Plateia não se movimenta muito. E as mulheres: quantas aí já foram pra uma “partidinha” de tarô? Huuummmm... Vejo muitos bracinhos levantados. Alguns tímidos, outros beeeeem efusivos.
Juntar a mulherada pra ir numa cartomante, ou pra fazer uma sessão de reiki, ou, simplesmente, pra tomar um passezinho... É muito programa mulherzinha! E veja bem: programa muito democrático, pois abrange todas as faixas etárias. É bem bom juntar uma turminha e ir numa sessãozinha, nãm?! Agora, quando em vida que vamos ouvir um homem falar pro outro: - Ô, meu, tem uma cartomante lá perto de um brother meu que é muito boa, cara. A gente tem que ir uma hora. Vamos avisar o Paulão, ele tava procurando uma pra ir. Combinamos e simbora junto lá consultar?
Nunca.
Se acreditamos nas cartas? Não. Às vezes não. Mas não custa (muito) ver o que elas nos dizem, nãm? Eu, por exemplo, sou do tipo que vou desacreditando, duvidando, testando... Mas vou. Quantas vezes já fui, assim, nesse descrédito? Algumas várias... Mais de meia dúzia, com certeza! Ui, contabilizando aqui... Quantos pilas já gastos em carteados, ein?!
E que homem faria isso tão assiduamente? Gastaria $$ pra ouvir coisas que já sabe de si mesmo, ou para talvez, quem sabe, antever coisas da sua vida, que nem tem data precisa pra acontecer, ao invés de comprar um engradado de ceva e jogar uma bolinha com os amigos? 0,00000002%, eu diria.
E não são só as cartomantes. Nós, as mulherzinhas, visitamos as aplicadoras de reiki, as sensitivas, vamos aos centros espíritas, aos centros religiosos, aos astrólogos, numerólogos...
E digo mais: não importa onde estão essas pessoas, nós vamos. Nada é impossível quando uma mulher está motivada a alcançar o desconhecido.
Alvorada? Fui. São Leopoldo? Logo ali. Está calor, é noite, o lugar é ermo, tem que pegar duas conduções pra ir e duas pra voltar? Uma ou duas horas de espera para entrar na sala e ficar apenas 30 minutos na consulta? Gastar gasolina adoidado, porque o chalé de madeira sem número onde a tia do passe atende fica numa rua sem saída? Tudo vale a pena.
Não tem empecilho que segure uma mulher na hora da conversa com o além... E nós acreditamos nisso? Não muito... Ah, mas não custa (muito) ir, né?!
Definitivamente somos mais do que a diferença entre XX e XY. Somos um abecedário de diferenças. Homens e mulheres.
A última cartomante que fui, disse que vou achar um homem bem parecido comigo... Será que ele vai gostar “jogar” um tarozinho também?
 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Conspiração dos relacionamentos

Dia desses, quando eu deveria estar estudando, achei uma pérola do conhecimento na WWW. Trata-se de um texto que instrui as pessoas a “dar foras” nos seus peguetes. Vamos às táticas sugeridas pela matéria, aqui apresentadas de forma resumida:

Ignore – faça a egípcia e finja que não é com você;

Suma – tente sumir por um tempo; talvez essa atitude faça a pessoa esquecer-se de você;

Maltrate – seja frio, egoísta e seco;

Mate as esperanças – a ordem é curtir a vida por aí; apareça cada dia com uma pessoa diferente;

Enlouqueça – essa é a mais legal de todas (palavras da matéria, não minhas), que tal fingir que você endoidou?

Não vou fazer aqui a hipócrita e dizer que nunca pus em prática nenhuma dessas categorias. Ou, talvez, todas... E, obviamente, como o karma manda, também já fui alvo delas – certamente de todas. Mas é chegada a hora de evoluir, não é?
Daí, eu converso comigo mesma e chego à conclusão de que o ser humano é criativo mesmo, nãm?! Uma frase curta, sincera e direta, do tipo: “olha, não está dando certo, acho que não devemos mais ficar, ok?”, não seria menos perversa e causaria menos danos mentais nas pessoas? Isso saiu de moda, ou nunca entrou?

Sinceramente, acho que quem controla tudo isso é uma grande rede oculta de psicólogos, psiquiatras e terapeutas afins. Só assim pra justificar o aumento do patrimônio deles, em relação inversa ao meu sucesso na vida amorosa!


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Meu caráter foi moldado pela dor


Amo meu estado, o Sulllll, mas ele tem o clima errado pra mim - quase nada umbigocêntrica... Embora eu odeie o frio – leia-se que estou no período de mau-humor constante nesses últimos dias, fato que se estenderá até setembro –, tenho de admitir que no verão os pés sofrem mais: não há calçado que não machuque quando os pés começam a inchar (ê, assunto de veia). Quando a gente é mais novinha, nem se dá conta, porque mete lá um tênis ou uma havas. Mas quando viramos adultinhas, haja sandálias e sapatos para revezar – looonge de querer convencer a homarada de que essa é uma das prováveis causas da fixação feminina por comprar sapatos; a gente compra porque é bom mesmo! Enfim, cada dia um machucado em um lugar do pé.

Ainda como resquício do verão, numa dessas trocas de curativos dos machucados de guerra, lembrei que quando eu era criança não tinha essa de colocar curativo no machucado sem antes usar o: MERTHIOLATE! Para machucados mais superficiais, um Mercuriozinho básico resolvia. Mas, para curar o buraco deixado pela tampa do joelho que ficava na areia depois do tombo de patins: só o bom e velho Merthiolate. Puataquépareo, como doía! E além do líquido em si ser dolorido, ainda tinha aquela pazinha maldita que a mãe apertava bem deeeentro do machucado, pra depois contaminar bastante todo o vidro de Merthiolate.

E o “atentado” – como parte da minha família chama uma criança hiperativa – até deixava de fazer merda só pensando no Merthiolate que vinha depois. Presta atenção na função repressora educativa na infância da pessoa que o Merthiolate desempenhava!

E, como o fluxo do pensamento é rápido e o barato é louco, uma coisa puxa a outra e já me lembrei que, vez ou outra, dependendo da “arte” que a criança fazia para merecer o tratamento do Merthiolate, ainda tinha a chinelada. Quem nunca apanhou por sílaba aí?! “Ô-gu-ri-a-tu-não-faz-mais-ar-te-já-te-fa-lei-não-fa-lei?” Cada sílaba, uma estalada de chinelo na bunda. Nem preciso dizer que sempre fui boa em português...

E como fechamento da sequência de ensinamentos construtivos da infância, é quase impossível não lembrar que a qualquer sinal de soluço vinha a famigerada frase: e não chora! Meodeozzzz, me diz como é que uma criança que foi torturada com Merthiolate, chineladas e uma separação de sílabas errada não vai chorar? O que nossos pais tinham na cabeça?!

Pois eu, em verdade vos digo: a formação do bom caráter dos filhos! Pra eles, tudo isso ajudava a formar a nossa boa índole; formava nos pequenos seres a ideia de causa e conseqüência (criança arteira = dor), o respeito à ordem dos mais velhos (choro = mais chinelada) e a concepção de que cada um carrega a cruz que lhe cabe (33 tampas de joelhos e cotovelos arrancados = abstração da dor em 33% a mais em relação aos menos acidentados da turma).

Em suma, digo que o meu caráter e o do pessoal que foi criança nos anos 80/90 foi moldado pela dor. E acho um absurdo que hoje em dia o Merthiolate seja em spray e não arda! É por isso que tem esse monte de pessoinhas coloridas que amam tudo e a todos. Como assim, meu querido?! Ninguém ama todo mundo, ninguém é feliz o tempo todo! Bando de psicopata em potencial, socorro!


sexta-feira, 16 de março de 2012

Sexo de cabeceira

Esses dias um amigo perguntou com qual frequência penso em sexo. Isso me levou a refletir imediatamente sobre as minhas leituras escolhias para este verão e cheguei à conclusão de que foram atos falhos.

Um dos livros, Vale Tudo de Nelson Mota, fala sobre a vida de Tim Maia. Terminei de ler neste mês. No meio da paisagem carioca, entre loucuras, bauretes, estratégias e muita música, a vida particular de Tim resumiu-se ao talento único, às viagens, à dor de corno, procura por amor e às investidas sexuais ora bem sucedidas mas, em geral, não muito dignas de serem imortalizadas. O livro é muito sexo: mesmo sem ter muito sexo.

O outro livro, Mau Humor de Ruy Castro, chamo carinhosamente de “Manual de Boas Maneiras,” enquanto algumas de minhas amigas dizem que ele serve para aprimorar meu já característico humor ácido. Trata-se de um apanhado de frases célebres de teor sarcástico acerca dos mais variados assuntos comuns à humanidade. Eis que, casualmente (ops!), na semana em que meu amigo me perguntou qual a incidência do sexo nos meus pensamentos, chego ao verbete “sexo” no Mau Humor. Resolvi compartilhar algumas de minhas frases preferidas sobre o tópico:

O sexo é uma piada de Deus às nossas custas. – Bette Davis
A pior coisa do sexo oral é a vista. – Maureen Lipman

Trepada adiada é trepada perdida. – Millôr Fernandes
Quando a mulher sabe que é bonita e gostosa, junta a fome com a vontade de ser comida. – Ivan Lessa
Todo o corpo é um órgão sexual. Com exceção, talvez, das clavículas. – Luis Fernando Veríssimo
Uma vantagem da masturbação é que você não tem de se vestir para ela. – Truman Capote
(Sobre o pênis) Que seja infinito enquanto duro – Vinícius de Moraes
Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém. – Nelson Rodrigues
Sexo é hereditário. Se seus pais nunca fizeram, você também não fará. – David Drew Zingg
Na mulher, o sexo corrige a banalidade; no homem, agrava. – Machado de Assis

Aguardo avaliação psicografada de Freud sobre minhas preferências literárias deste verão.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A obrigatoriedade de ser feliz... eca!

Ai, coisa chata!

Já notaram que ser feliz é quase um atributo a ser incluído no currículo? Qualquer dia desses, quando fores fazer uma entrevista de emprego, vão perguntar pra ti: “Digita rápido? Ok. Domina os aplicativos que a empresa manipula? Ótimo. É organizada? Hummm. Fala três idiomas? Ok. Experiência no cargo? Ceeeerto... E feliz, tem experiência em felicidade? É feliz atualmente? Acordou feliz hoje? Mas é feliz meeeeesssmo? Aaaah, que peeeena, estamos com vagas abertas para pessoas do tipo Smurfs. Volte quando abrirmos vagas para Garoto Enxaqueca, por favor”.

Essa urgência da felicidade, essa ânsia de ser feliz agora, nesse minuto! Ano Novo: tem que festejar. É Carnaval: tem que estar feliz. Aniversário: felizaaaço!!! Acho isso tudo muito artificial. Pessoas artificiais me irritam profundamente. Gosto de pessoas normais.

Pessoas normais choram, xingam, excomungam! Pessoas normais acordam mal humoradas vez que outra (tá, no meu caso, sempre...), falam palavrão pra caráaaaa... quando batem o dedinho na quina da cama, ficam nervosas, ansiosas, preocupadas, insatisfeitas. Pessoas normais passam por altos e baixos, e, por isso, são capazes de apreciar os momentos de felicidade em todos os seus detalhes.

Tenho aprendido na yoga (sim, Pequeno Gafanhoto procurando evolução espiritual) que felicidade já é uma coisa que nos pertence, está no ar. Basta estendermos a mão e a apanharmos. Escolhemos ser felizes ou infelizes, mas isso é um processo. Apanhar a felicidade sem que ela escape é uma construção, precisa de solidez.

Filosofias à parte, o ponto é que pessoas felizinhas, perfeitinhas demais, não existem. Desculpa, não compro esse produto: coisa chata se todo mundo fosse perfeito, eu gosto é dos defeitos, eles que particularizam as pessoas! Defeitos deixam as pessoas engraçadas, singulares, inesquecíveis! Sim, sou inesquecível, já sei... Não, não foi um autoelogio...

Aliás, falando em felicidade urgente e pessoas perfeitas/imperfeitas, passei a gostar muito mais da Sandy depois que li a declaração dela na Playboy. E voltei a achá-la muito monga quando ela disse que a declaração estava fora de contexto. Êeeee, pessoinha perfeita felizinha mais chata do mundo! Torço tanto pra que ela dê o c*** de verdade... Pronto, falei!
Beijo grande, e sejam felizes nesse Carnaval!

Eis o retrato genuino de um dos melhores momentos de felicidade que já presenciei de um Homo Sapiens.
E quem será o Wally? Resposta escondida na própria foto, quem será o primeiro a descobrir?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Como não dar uma notícia de verão

Verão. Janeirinho. Dona Veranica. No restaurante.

Noite bonita, lua cheia na lagoa, brisa leve. Dona Veranica resolveu dar uma chance a Janeirinho. Afinal, estava se despedindo daquela cidade, então, optou por passar seus últimos dias ali em uma companhia que sabidamente gostava dela. Sem sobressaltos. Sem expectativas. Segurança de um rolinho tranquilo.

Janeirinho vinha desde dezembro espreitando a dona da estação e, quando chegou seu mês, ficou radiante! E tudo corria bem para ambos, mesmo que Janeirinho desse indícios de que gostaria de se tornar o outono de Dona Veranica, talvez o inverno também... De qualquer forma, corria tudo bem. Até aquela noite.

Resolveram aproveitar o agradável luar em um restaurante à beira da praia, para depois decidirem o prolongamento da noite. Boa comida, boa bebida, ambiente agradável. Assuntos diversos. Janeirinho não era muito hábil com as palavras, podendo ser ele considerado como a representação do aluno que aprendeu o português com a nova cartilha do MEC – obrigada, Fernando Haddad! Mas, Dona Veranica não se atinha a este “detalhe”, pois sabia que janeiro seria apenas um dos 11 demais meses do ano. Então, continuava conversando, tentando ignorar os gerundismos, os comentários preconceituosos e a total falta de conhecimento de Janeirinho acerca das palavras formadoras de indivíduos sensíveis.

Inexplicavelmente, começaram a falar sobre etapas de vida, conquistas, projetos pessoais. Dona Veranica viu aí uma rara oportunidade para desenvolver um diálogo, ao invés de ser mera expectadora de um monólogo – tão instigante quanto uma entrevista da Marília Gabriela.

Janeirinho: Tenho pensado muito nisso de me estabelecer. Mesmo que não seja na minha área, mas preciso ter meu negócio. Depois, com o tempo, juntando uma grana, posso pensar melhor em voltar a atuar na minha formação.
Dona Veranica: É, nem sempre dá pra fazer o que se gosta. Enquanto isso, não dá pra ficar parado.
Janeirinho: Penso muito nisso por causa do que falamos uma vez também: quero ter família, quero dar boas condições pros meus filhos, enfim... E pra isso, não dá mais pra ficar na utopia. Tem que começar agora.
Dona Veranica: Não sabia que pensavas assim tão em longo prazo, de uma forma tão planejada. Sempre te vi como um cara mais festeiro.
Janeirinho: Pois é, as coisas mudam.
Dona Veranica: Que bom, não é? Mudar pra melhor é bom.
Janeirinho: Mas e tu, deixas a cidade e tens planos? De trabalho, família...? A gente tem que pensar como vai fazer pra se ver depois...
Dona Veranica: Não planejei muito essa etapa...
Janeirinho: Masssss eeeee... tu pensas em ter a tua família, não é?
Dona Veranica: Claro, sem dúvidas, mas agora preciso pensar em mim. Posso ter família quando eu estiver mais estabilizada, não achas? Ainda tem tempo.
Janeirinho: Pois é. Concordo. Mas nunca te aconteceu de conheceres alguém que já estava adiante nesse sentido? Tipo... alguém mais velho, ou com filhos...?
Dona Veranica: Na verdade, não. Óbvio que quando gostamos de alguém, isso não faz tanta diferença, ou não é decisivo. Eu acho... Mas, conscientemente, podendo escolher, obviamente escolho não me envolver com alguém que já tenha família formada. Além dos filhos vem a ex de presente! Muita complicação, não achas...?
Janeirinho: É... tens razão.
Dona Veranica: E ainda tem a questão das prioridades. São outros planos. Etapas diferentes de vida entre essas duas pessoas. É melhor ficar com alguém que esteja em uma etapa mais próxima à tua, não achas?
Janeirinho: É, né...? Realmente, são etapas diferentes.
Dona Veranica: Não tenho preconceito, massssss, podendo escolher racionalmente... prefiro alguém que esteja mais próximo à minha realidade, aos meus planos.
Janeirinho: Então... eu acho que estou nessa etapa.
Dona Veranica: Como assim? Nessa minha, dos planos?
Janeirinho: Também. Mas talvez uma mais adiante: nessa de já ter uma família.
Dona Veranica: ... (olhos esbugalhados)
Janeirinho: Pois é, descobri que vou ser pai.

Naquele ano, o mês de janeiro também teve 28 dias e o verão foi mais curto. Dona Veranica mudou de hemisfério, já tardava a hora de levar seu calor a outros lugares. Afinal, era chegada a hora do mês do Carnaval...


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Festa em família: diversão tão garantida como arrancar um siso

Aaaahhh, o verão... é também época de Natal, aqui para nós, latinos. Aqui para mim, integrante da Família Buscapé, é tempo de encontros consangüíneos. Por essa época já me preparo psicologicamente.
Escapo-me dos encontros familiares mesmo nos aniversários, nos churras de final de semana, nos almoços pré-morte de algum tio mais velho, mas final de ano não tem jeito: é festa na lage.
Muita criança ranhenta correndo com material de construção na mão, cachorros de todas as raças em si mesmos ao redor da mesa e atacando loucamente cada convidado que chega, pessoas que tu supões serem teus parentes brotam, não se sabe bem de onde, em ordas... e a comilança, claro: - serve mais um pouquinho, minha filha, tá tão magrinha, come, come!!
Quando a nanotecnologia servir para leitura de pensamentos, não mais terei família, pois na primeira reunião meus parentes irão sangrar até a morte devido ao rompimento dos tímpanos, causado por meus gritos de horror durante as horas que se passam nas comemorações Dó-Ré-Mi. Meus pensamentos costumam ser meus únicos amigos nesses dias “festivos”. Não creio que nenhum amigo do mundo físico queira me acompanhar na empreitada, mas já pensei em usar o artifício para espantar uns caras aí... É de se levar em consideração.
Não sei por qual motivo, mas pessoas da nossa família parecem ter um repertório feito, decorado, friamente armazenado no congeladorzinho cerebral deles, pronto para ser desinformado quando tu chegas à reunião familiar. Ou melhor, quando todos já chegaram e podem ouvir e compartilhar os momentos de infortúnio e constrangimento entre perguntas insolentes e respostas monossilábicas.
Por que as perguntas são sempre as mesmas? Por que aquela sua prima que não gosta de ti finge que a tua visita é a mais esperada do ano? Por que não deixam o teu tio dormir ao invés de sacrificá-lo à mesa, ouvindo as mesmas histórias de doença das tias? Por que a mãe do marido da tua prima-irmã grita tanto, sendo que ela está falando com a cunhada do teu primo, que está sentada ao lado dela?
Essas cenas gloriosas me motivam há anos a construir um repertório de diálogos que um dia ainda hei executar. Num dia em que certamente israelenses e palestinos irão chorar abraçados de felicidade pela coragem de uma destemida criatura, que do alto de seus 47Kg ousou enfrentar as tropas Buscapé.
Um dia perfeito:
Tia n°1 pergunta: - Minha filha, não vais comer mais? Tá tão magrinha, não comeu nada! Come aqui a salada de batata, com arroz, com maçã, com galinha desfiada e com figo, que a tia fez!
Resposta: - Ah, tia, na verdade eu já comi; sabe aquela hora que eu saí um pouco da mesa? Então, eu fui vomitar no banheiro. Por isso estou tão magrinha assim, vomito direto! Agora vou economizar a garganta para a sobremesa, se a sra. não se importar.
Tia n°2 pergunta: - Mas então, querida, tão bonita! Sempre parecida com a mãe. É a cópia escarradinha da mãe, tu não achas?
Resposta: - Então, tia, melhor ser um cuspe da mãe do que ser o cocô de um monte de pais diferentes, que nem os teus filhos, a sra. não acha?
 Prima n°1 pergunta: - E aí, prima, tá naquele emprego ainda? Aquele, que tu tava... fazendo... que tu faz  mesmo, prima?
Resposta: - Então, prima, ao invés de ti, que optou por não estudar, ter uma vida suburbana, trabalhar em dois empregos medíocres, casar para não ficar mal falada, engravidar por pressão da família e viver no cu do mundo, eu preferi estudar e agora dei um tempo no trabalho formal para ser garota de programa, juntar alguns milhõezinhos para depois viajar mundo afora. Te aconselho, viu?!
Primo pergunta: - Mas e então, prima, quer puxar a oração pra nós, antes de nos servirmos?
Resposta: - Não, primo, obrigada pelo convite. Sou adoradora de satã, acho que vocês não gostariam do meu tipo de oração. Mas, por via das dúvidas... tem uma cabra aí? Bode também serve.
Prima n° 2 pergunta: - Eeeee, ô prima: quando é que tu vais trazer um primo bonito aqui pra nos apresentar? Uma guria tão bonita que nem tu, aí, solteira... está na hora de nos apresentar um marido!
Resposta: Então, prima... até andei pensando nisso, mas como no ano passado eu estava dando pra vários, fiquei em dúvida sobre quem trazer, não achei justo beneficiar apenas um convidando para vir aqui nesta maravilhosa confraternização, e acabei não trazendo ninguém. E, nesse ano, como virei lésbica, não sabia se vocês estavam prontos para receber minha nova namorada, mas já que tu tocaste no assunto...

Ai, ai... sonhar não custa nada!!!

O fato é que tu é o único sem responsabilidade, sem família. Tu é o único que vive sozinho.
Mas eu não vivo sozinho; há dez anos que moro junto.
Mas por que o segredo conosco? Há dez anos sai com uma moça e não nos diz nada?! Quem é, o que faz, como se chama?
Se chama Mario. E faz Vigilantes.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Mulher cansa

Num desses posts um Anônimo-amigo me deu um conselho bem legal: “Freconilda, tenta virar homem”, ou algo do tipo. Certamente, uma das primeiras providências que tomarei ao chegar no setor de recadastramento do karma será protocolar uma petição em três vias para que eu volte como um cretino homem.
Tem coisas nas mulheres que irritam tanto! Muitas coisas! E, como pertencente à raça, para meu azar a revolta muitas vezes é vista como traição ao bando.
Que tal essa mania de ir lá consertar tudo que a outra pessoa fez, porque tem que ser do jeito dela? O dela que é certo, o dele, não. O ângulo certo é de -27°, não pode deixar o pano de louça pendurado de qualquer jeito na cozinha! Já ele: nem sabe a diferença entre pano de secar a mesa, de lavar o chão ou de secar a louça. Pano é pano! Serve, inclusive, pra juntar os cacos da garrafa de ceva que o amigo quebrou semana passada.
E que é isso que as mulheres tem de ficar guardando rancor, ein? Nossa, isso já vem programado nas células tronco das mulheres! Se uma briga aconteceu quando ela tinha 10 anos, 3 meses e 8 dias de idade, ao encontrar a coleguinha de escola no Face, hoje com seus quase 30 anos, a mulher não vai adicionar a ex-colega! Se ela lembra o motivo da briga? Não, ela não lembra. Mas ela lembra que brigaram, então, não podem ser amigas nem de Face. Ou melhor, “vamos adicionar aqui no Face, daí a gente pode bisbilhotar o quão coitada é a vida dela...” Já ele: olha, se não conhece não adiciona, e segue a vida; se lembra vagamente, adiciona e segue a vida; ou, se lembra bem lembrado, adiciona e ainda vai tomar uma ceva na esquina. Briga, que briga? Baita parceiro! E segue a vida.
Tem também aquele habitozinho asqueroso de ficar falando pelas costas. Nossa, tem mulher que não conseguiria ser sincera nem num monólogo! Abraça a “amiga”, vai no aniversário, encontra na festa e bebe junto. Mas é ir uma pra cada lado que a novena começa. Homem, não: chama de fíadapúta na cara, manda tomar no cu e arremata com um aperto de mão, que é pra encerrar o caso. E bóra tomar uma ceva ali na esquina.
E não vamos esquecer da problematização excessiva das coisas. O que é uma franja mal cortada para uma mulher? A clausura por um mês. E o que é um cabelo mal cortado para um homem? A desculpa para raspar todo o resto ou, então, para fazer uma sequência de fotos comemorativas bizarras com os amigos, ali no bar da esquina, enquanto toma uma ceva.
Às vezes eu quase acredito que os homens são seres mais evoluídos do que nós, para conseguirem nos aguentar sem praticar yoga ou meditação...

Eis o exemplo clássico de como os homens não dão a míiinima para as afetações femininas.
Eu amo esse casal! O estereótipo perfeito e atemporal das relações homem-mulher.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Como não amaciar o ego de uma mulher

No carro:
- NOOooossa, é ducarálhu ficar contigo!
Ela, muito triste pelo carro estar em movimento, adia os planos de se jogar pela janela e olha fixamente para frente, com um sorrisinho madeira, achando melhor acreditar que a frase foi um elogio.
No restaurante, antes da sobremesa:
- Tu é mais do que bonita. Gosto muito de ti como pessoa, tu é muito gente!
Ela, muito aliviada por ter alguém ao seu lado que não a aprecie como um picles, apenas pede a conta.
Na cama:
- Nossa, que cintura fina! Tirou uma costela?
Ela, frente à tamanha expressão de carinho, sente-se à vontade para eliminar um pequeno e silencioso flato, como prova de gratidão. Vingança também é um prato que se come em silêncio.
Em frente ao espelho, antes de sair para a festa:
- Nossa, que cabelão comprido! Mais um pouco e vira freira, ein?!
Ela, subitamente, tem cólicas inexplicáveis e resolve ficar em casa naquele dia. Na casa dela.
Ao telefone, depois da praia:
- E então, se torrou no sol?
Ela, feliz por ser comparada a uma galinha de vitrine, desliga o telefone e depois diz que estava entrando no túnel. Sim, na praia. Um túnel. Na praia. Ah, sabe como é... as ligações caem.
Após o banho, em frente à televisão, vendo um filme com a Julia Roberts:
- Gosto de mulheres assim, naturais, com o rosto limpo. Tu também estás de rosto limpo sempre, né?
Ela, preocupada em estar sempre impecável para ele, com seu rímel curvador, seu creme iluminador e seu corretivo hidratante, sente-se muito feliz por ser entendida como ela realmente é, por dentro e por fora.
Moral da história: a auto-estima das mulheres é moldada pela paciência, compreensão, ira contida e por desejos reprimidos de cometer atos criminosos inafiançáveis.



E depois de tudo isso, uns bons tratamentos estéticos, que ninguém aqui veio a passeio, bem!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

No divã

Cada vez mais as pessoas caminham para as consultas com psiquiatras, psicólogos, psicoterapeutas espirituais, pedagogos astrais e o raio que o parta, por várias razões: porque a manicure morreu, porque a mãe é controladora, porque o rolo do mês não deu certo, porque a fome no mundo é alarmante ou simplesmente porque é moda entre os amigos. De qualquer forma, pagar por 1h quando na verdade o atendimento dura de 40 a 50min. vem sendo reincidente nesta sociedade contemporânea.
E mesmo diante de um acordo velado de roubo (vamos chamar assim a diferença entre o pagamento e os minutos a menos de atendimento), nem sempre se sai satisfeito do divã. Pergunto-me, fazendo uma recuperação dos meus dias pregressos junto aos meus analistas – sim, foram muitos, e daí?! – por que raios eles nunca dão as respostas?! Poxa vida, já sou roubada em minutos, tenho que fazer todo o esforço de verbalizar coisas desagradáveis, gastar tempo do meu dia pensando em como contar de forma convincente as coisas pro tal do terapeuta ficar do meu lado da história, pra no final ele olhar bem sério pra mim e dizer: - huuuuummm... e o que tu achas disso? Porra, se eu soubesse o que pensar disso, não pagaria alguém pra me dar a resposta, amigão! Quanto tu queres que eu te pague pra me dar a resposta, ein?! Quanto? Quanto mais eu tenho que pagar?! É dinheiro o problema?!
Outra coisa absolutamente nonsense em relação aos analistas é a forma da impessoalidade que eles tentam imprimir na relação paciente-médico. Meu último psicólogo fez o papel de paizão pra mim nas consultas, obviamente percebendo a necessidade que eu tinha de suprir esta relação pai-filha naquele momento da minha vida. Enfim, óbvio que eu nutri um enorme carinho por ele ao longo dos meses de atendimento. Quando me dei alta do tratamento, o período coincidiu com minha formatura na faculdade. Fiz um convite toooodo cheio de dedicatórias e: ele não apareceu. Pior: passava por mim na rua e nem me cumprimentava! Que tipo de pai é esse?! Digo... de psicólogo?!
Mas o que mata mesmo nas consultas é o silêncio. Pagar o preço de 1h cheia por 40min de atendimento, até vai. Ser abandonada pelo pai psicólogo sem mais nem menos, tudo bem, também passa... Agora, o silêncio durante uma consulta é de f*** o c*** do palhaço! Por que raios um ser humano com curso superior pensa que eu gosto de pagar os tubos pra entrar numa sala, sentar e ficar ouvindo o som do na-da! Pelamordedeus, puxa uma conversa, dá um norte pra proza, conclui a novela quando eu terminar de narrar! Mas nããããão: vamos deixar que ela mesma desenvolva o raciocínio e o pensamento crítico sobre os fatos... Queridão: eu não estoooouuuu te pagaaaando para desenvolver meu raciocínio crítico! Não há tempo pra isso em 40 minutos semanais!
É por isso que hoje em dia eu pago TV a cabo e vegeto na frente da televisão assistindo: Celebrity Rehab, Jersey Shore, Papo Calcinha, Ratinho e Falando de Sexo com Sue Johanson. Se for pra ficar insatisfeita, ao menos pago um preço mais em conta sem precisar sair de casa, e de lambuja constato que não sou tão anormal assim.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pensei... mas não falei

Socialmente há padrões de comportamento que, na maioria das vezes, impedem as moçoilas de transporem as barreiras do pensamento e exporem mundinho a fora certas respostas que deveriam ser ouvidas, para que certas frases não fossem mais ditas.
Frase medíocre n°1
- Te cuida.
Resposta vai-à-merda n°1
- Não. Não vou me cuidar. Sou uma compulsiva por autodestruição e, no primeiro banheiro com chave pelo qual eu passar, vou me trancar e me giletar todinha. Aliás, vou me retalhar com as iniciais do teu nome e deixar um bilhete, dizendo que a culpa pela minha morte é tua, que tal?!
Frase medíocre n°2
- Tô com uns problemas aí, não ando muito bem, vou ficar sozinho um tempo.
Resposta vai-à-merda n°2
- Cagão.
Frase medíocre n°3
- Te desejo uma pessoa muito melhor.
Resposta vai-à-merda n°3
- Porra, mas e por que não me avisaste antes que tu eras uma pessoa muito ruim?! Baita perda de tempo...
Frase medíocre n°4
- Mas e precisa mesmo usar camisinha?
Resposta vai-à-merda n°4
- Não, querido. Coloca uma ratoeira pra ver se fica mais legal. 
Frase medíocre n°5
- É... nem sei o que te dizer...
Resposta vai-à-merda n°5
- Ah, fala com a minha mão então, fofinho.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quero ser biscate

Na próxima encarnação, porque nesta eu já sou um caso perdido.
Como cheguei a essa definição da próxima carreira a seguir? Fatos:
- Cleópatra: a rainha grega do Egito... pensa bem como foi manter esses dois títulos em um só; mas não vamos tirar o mérito: era uma biscate extremamente inteligente e estrategista;
- Ana Bolena: êta biscateira com poder, essa...;
- Mata Hari: ainda jogou um beijinho às tropas de fuzilamento antes de sua morte;
- Xuxa, rainha da pornografia: é Rainha dos Baixinhos;
- Priscila, ex-BBB: casou;
- Todas as ex do Hefner: tem um reality e uma mansão para chamar de seus;
- Smurfete: só tinha que dar pra toda vila e assim conseguia manter seu padrãozinho de vida feliz no subúrbio azul;
- Ângela Bismarchi: tem tudo quanto é cirurgia grátis (não que elas deem certo...); faltou só a do cérebro, mas é detalhe...;
- Luciana Gimenez: ganhará boa mesada pro resto da vida por ter um filho de um Stone;
- E não vou nem falar nada da Bruna...
Questiono-me se já teria sido uma biscate na outra encarnação, e por isso nessa sou tão... não-biscate!
Só sei que as admiro. Aplaudo a todas. Beleza é uma dádiva, ignorância é uma bênção, falta de escrúpulos é um dom, mas ser biscateira é atingir o Nirvana.


domingo, 28 de agosto de 2011

Refletindo e mancando

Mais difícil do que o Bolsonaro sair do armário, mais improvável do que o Roberto Carlos participar da Dança dos Famosos, mais raro do que Marina Silva depilar a sobrancelha, ou mais absurdo do que a Dilma falar com voz de criança no diminutivo, em conversa ao pé do ouvido com a Chanceler Angela Merkel. Acho que essa é a possibilidade de as pessoas estarem preparadas para ouvir a verdade sem achar que é uma afronta. Infelizmente vivemos em um mundo no qual o cinismo é bem visto e a sinceridade é um tiro no pé.
Só pra constar: meu pé tá muito furado!!!



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Manual pocket de boas maneiras

Dia do Solteiro! Sim, dia 15.
E eu, muito prestativa, em comemoração a esta data especial, venho dar minha colaboração aos solteirOS de plantão (não que os casadinhos não precisem ler...).
Então, vamos colocar ordem nesta Sbórnia! O homaredo vem alternando em um ritmo frenético a prática das boas maneiras com a bagualice, e vice-versa. Sem falar na onda de melações, que às vezes vem em ordas, num fenômeno mais ou menos parecido com o choque do ectoplasma do Geléia contra a Janine.

Serviço básico de utilidade pública:

Boas maneiras = abrir as portas (não é uma obrigação, mas demonstra que o vivente não é umbigocêntrico).
Bagualice = nem olhar pra trás para saber se a moçoila está necessitando de ajuda pra empurrar aquela maldita porta pesada do am pm (onde, por sinal, ela odeia ir; qual é a dos caras com postos de combustíveis, ein?!).
Melação = jogar-se feito o Maníaco do Parque na frente dela, sem que ela decida ao menos qual pé colocar na frente do outro antes de passar pela porta.

Boas maneiras = usar adjetivos que qualifiquem positivamente a pessoa com quem você fala (um “linda”, “gatinha”, “querida”, ou um apelido carinhoso, não faz mal a ninguém).
Bagualice = usar adjetivos que aplicarias ao teu colega de quarto, aquele mesmo que ronca e arrota contigo quando vocês viajam juntos (por exemplo, “debilóide”, “tonga”, “meu”, “cara”...).
Melação = utilizar mais de dois adjetivos no diminutivo em uma mesma frase (“oi, minha lindinha, tudo tranquilinho contigo, minha gatinha?”).

Boas maneiras = ligar ou mandar mensagem no dia seguinte.
Bagualice = entrar numa dimensão paralela e sumir, pra fazer o jogo de gata e rato.
Melação = mandar uma mensagem pela manhã, três à tarde e umas 473092038779 à noite.

Boas maneiras = elogiar a aparência dela.
Bagualice = “Bã, mas pelo menos estás bonita, ein? Depois desse tempo todo que te esperei, ainda bem que não me decepcionste!” (não, isso não é um elogio).
Melação = “Como tu estás gata” (às 21:10); “Já te disse que estás muito bonita?” (às 21:36); “Nossa, sou muito sortudo, tu és muito linda” (22:03); “Já comentei como estás bonita hoje, né?” (22:17)...

Boas maneiras = convidar para sair quando tiver vontade, sabendo que a outra pessoa, quando diz “não”, pode estar ocupada de verdade (pasmem, nem tudo é um jogo nesta vida!).
Bagualice = “Bem, eu já te convidei, depois não diz que não me apresento”.
Melação = “Ah, mas eu queria tanto sair contigo hoje! E amanhã? Tá, e daí, saímos amanhã, mas já vamos combinar o findi, então! Ah, também tinha pensado em irmos naquela festa, que vai ter dia 23...”

Boas maneiras = na primeira vez, tentar perceber qual o “estilo” do corpinho, antes de sair por aí tentando realizar todas as suas 73 fantasias eróticas no período de 3 horas.
Bagualice = “Como é que tá aí? Chegando?”.
Melação/Psicose = “Agora tu és só minha, toda minha... nunca senti nada assim, nunca mais vou te largar!”  Corra, Lola, corra!!



domingo, 31 de julho de 2011

Sonhos de uma noite de inverno

Dizem por aí que dia 15 foi o Dia do Homem. Para comprovar que não faço só mau juízo dos meus irmãos de espécie, não vou dedicar apenas um dia, mas todo o mês de julho a eles, os de Marte. Encerro o mês com esta singela homenagem.

Das tipologias masculinas: o Tipão
Certa noite dessas, cumprindo meu compromisso comigo mesma de não sucumbir à falta de vida social, fui a um desses botecos/bares/pubs da vida. Acho que ninguém acredita naquela frasesinha “só vim para dançar” ou, no caso dos pubs, “tô só pelo drink” (by Alinão). Hoje em dia, ou melhor, em noites, apenas um-noventa-e-nove-avos dos seres humanos não vão para a noite para ficar girando o pescoço em 367° feito lêmures loucos, num ritual que concretiza o popular “tiroteio”. Pois bem, faço parte deste seleto e desacreditado grupo que vai para a “night” sem pensar necessariamente em achar ali uma pantufa (agora, que o inverno medonho chegou) ou um scarpin na estica para sair desfilando por aí.
Vide companheiros de faculdade, freqüentadores do saudoso boteco Bolicho, hoje uma farmácia (se precisar de Eno, agora tem à vontade!): enquanto todos iam para lá e de lá saiam em pares já formados, Freconildas de lá voltava como chegava (ok, 86% das vezes); enquanto os demais se abraçavam nas garrafas de ceva (vendidas a módicos R$1,50!), Freconildas lá estava abraçada em sua clássica garrafa de inox, goleteando um chima veio (Carry, a estranha). Bem, nada mudou muito da graduação para cá: troquei o chimas pela água gelada (acho que serei socialmente banida se entrar com uma térmica num pub) e continuo na sociabilidade passiva, sem incorporar o estilo lêmure de ser.
Digressões à parte, naquela noite de melll delzzz, uma serelepe amiga chamou minha atenção para uma pessoa discreta. Um homem, muito próximo à nossa mesa: aquele transeunte não sabe da minha existência, jamais pensaria que habito a mesma galáxia que ele e sequer pensaria que eu o observava. Mas ele me fez querer prestar uma homenagem aos demais de sua classe, a quem agradeço pela existência...
Ele não é bonito, é um feio interessante, de traços sisudos. É a personificação da cruza dos feromônios do Zé Mayer, com os músculos do Dourado e o rosto do Gerard Butler. Ele é rude.
Caminha como se não houvesse nada à sua frente, sem ao menos mover involuntariamente as pupilas na tua direção. Ele rasga os caminhos, os demais que o sigam. Faz carinho quase que com a mão fechada, e quando abre é para puxar os cabelos da mulher. Ele não fala, mas sabe como olhar de uma forma que a mulher se sente completamente nua em público. O Tipão não abraça, puxa. Não pega no colo, levanta teu corpo como se fosse uma pena, a la Vin Diesel. Fala pouco, mas diz tudo em sete palavras. Ele não pergunta, faz.
O Tipão não sucumbiu às boas maneiras, mas uma vez a cada 91 anos, quando Vênus, Júpter e a Lua alinham-se, ele te surpreende com flores. Ok, com um botão de flor...
Este ser tosco, bruto, sério, tem um humor seco, ácido, cortante. Não ri de piadas, apenas levanta o canto da boca, em um breve momento no qual esboça simpatia pelos demais. Não dança nas festas, espreita as mulheres enquanto coloca um pé pra frente e outro pra trás – muito sutilmente. A roupa que ele usa na festa é a mesma que veste no dia seguinte para correr ou para trabalhar: ele não pensa que é uma roupa, vê apenas uma sobreposição de panos. Para o Tipão, as cores reduzem-se ao preto, branco, verde, amarelo, vermelho e azul – e “combinação” é uma palavra inexistente em seu mundo; aliás, listras e xadrez são sinônimos para ele. Ele não sabe e não quer saber o que é design. Ele nunca chorou vendo um filme. Ele não conhece os diminutivos.
Mas, vez que outra, o Tipão mareja os olhos – num esboço de choro. São raros os momentos em que é possível observar esta espécie aos prantos. Mas não se iluda, ó Nobre-camponesa-que-vai-todos-os-dias-ao-bosque-recolher-lenha: isso é apenas seu golpe final. É a parte mais afiada da lâmina de seu robusto machado: vai cortar seu coraçãozinho em milhares de farpas e, quando menos tardar, estarás apaixonada pelo Tipão. Afinal, todo mundo sabe que homem grande chorando é golpe baixo... mas a gente gosta!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Achei triste o uso das reticências

Dia desses externei uma coisa que já tinha pensado, e sobre a qual já tinha chegado à conclusão há algum tempo... Conversei sobre a forma como as coisas findam.
Aos nove anos, fiz uma amiguinha em uma situação peculiar. Na época em que conseguir uma linha telefônica era luxo, também era moda criança passar o dia pendurada no telefone dando trote. Ligava para um número qualquer e, onde caísse a ligação, aplicava o trote do carro gelo, da família Pires, e por aí vai. Um dia, a Jordana ligou pra minha casa e ficou passando trote. Os trotes eram tão engraçados e ela era tão figura que começamos a conversar e ficamos amigas: amigas de telefone. Passamos a nos ligar diariamente, a nos escrever cartinhas – na época, também se escrevia carta, comprava-se selos e se postava no correio... sim, tenho rugas. Não lembro do exato dia em que não nos ligamos e, daí em diante, que passamos a não nos ligar mais, nem a escrever em papel de carta perfumado uma para a outra... E o tempo passou. E a Jordana passou.
Na mesma época, eu tinha uma amiga muito querida, que morria de ciúmes desta minha relação telefônica! Sempre que nos perguntavam se éramos irmãs (porque andávamos sempre juntas), nós dizíamos: “não, somos vizinhas, colegas e amigas”. Resposta completa. Foram anos de convivência não somente entre nós duas, mas entre nossas famílias. E, mesmo com a distância que a “adultice” às vezes traz em relação às pessoas queridas, foram anos ainda compartilhando fases da vida por telefone, por e-mail, por visitas cheias de saudade. O tempo passou, ela casou, teve filho... Paramos de nos ver, de nos falar. Não sabemos mais do quotidiano uma da outra, não sabemos mais dos medos, das conquistas, dos problemas, das alegrias. E a vizinha-colega-amiga também passou.
Não sei dizer se sou amiga de todos aqueles a quem um dia chamei assim. Não deixei de gostar de ninguém, mas as circunstâncias, o tempo e a forma como a vida passa por nós, por muitas vezes, me fazem pensar o que determina o momento em que “decidimos” não mais partilhar nosso “eu” com outra pessoa. Não deixamos de gostar, apenas deixamos...
Perdi as contas de quantas vezes saí com alguém e pensei que ficaria mais tempo com aquela pessoa. Não me refiro necessariamente a namoro, porque hoje em dia se tu falas que sentes saudades, pronto: já pensam que estás com o tipo de papel dos convites de casamento encomendados! Como se não houvesse mais espaço para o afeto despretensioso. Não. Não falo necessariamente de namoro, mas de um período bom o bastante para sair com alguém e saber se essa pessoa te faz bem. Se vocês se fazem bem.
As conversas boas, a companhia agradável, bom humor na relação (imprescindível), mesma fase de vida, boa química... Simplesmente bom. E não sei dizer, na maioria dos casos, o que determinou o momento em que cada um de nós foi para lados diferentes. Tem o fenômeno do “nojinho”, que mais cedo ou mais tarde vai bater à tua porta: ou tu vais pegar nojinho de alguém, ou, acredite, este alguém vai pegar de ti (ou tu achas que só tu vês defeitos nos outros?). Mas, em muitos casos, não é isso que acontece: nenhuma briga, ninguém usou palavras ríspidas, não houve demonstração de cobrança, vocês não começaram a sair com outras pessoas. A distância apenas veio. Pessoas que compartilharam momentos extremamente íntimos e bons apenas deixam de se falar e se tornam estranhas. As pessoas passam.
Acho isso triste.
Já pensava nisso há algum tempo, mas esses dias, ao falar em voz alta pra outra pessoa e pra mim mesma, achei mais triste. A palavra pronunciada teve mais peso do que a palavra pensada. Percebi que certas situações tem um ponto final que, de alguma forma, te reconforta mais, por saberes o início, o meio e o fim de tudo. Principalmente por poderes enxergar, com clareza, o fim. Outras situações apenas te apresentam reticências.
Algumas coisas terminam. Outras, simplesmente acabam...

A maneira mais alegre que eu já vi para se cantar um clássico triste.